«O infinito que nos cabe viver é sempre um infinito ferido.»

* Quarta, 08 de agosto de 2018 *

Reflexão do Dia trazida até nós pela Irmã Lúcia Abreu, cm

 

O infinito que nos cabe viver é sempre um infinito ferido. E é bom que seja assim. As perguntas «que estou disposto a amar?», «até que ponto confio?», «como encaro a vida na sua abertura rasgada e na sua convulsão?» trazem tatuada uma outra interrogação que é: «Por que coisas me sinto capaz de sofrer?»

Exatamente o que faz o grão que se afunda na terra e aí como que morre, e dessa maneira aceita o risco de hipotecar e transmutar a sua própria existência para gerar um fruto novo.

Podemos pensar a vida de outro modo? Podemos. E infelizmente muitos (por medo, por egoísmo, por incerteza) perspetivam-na nesse registo. Ficará sempre, vida aparente, mutilada em alguma dimensão fundamental, vida por cumprir.

(In O pequeno caminho das grandes perguntas  – Quetzal – obras de José Tolentino Mendonça)

Reflexão